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México: Uma TV a cada três segundos

«A partir da próxima semana, o governo federal começará a distribuir televisores digitais HD quase a cada três segundos e para 2015 a média baixará mais, a dois segundos…» 

Gabriel Sosa Plata* / México / outubro 2014

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Publicado no jornal El Universal o 13 de outubro de 2014.

Enquanto o país vive o início de um intenso processo eleitoral, um exército de empregados federais e, supomos, pessoal contratado temporariamente buscará entregar 2 milhões e 300 mil televisores, de outubro aos primeiros dias de janeiro de 2015, uma vez que terminou no mês passado a licitação destes equipamentos, a qual ganharam quatro empresas: HTCJ, Diamond Electronics, Elektra e Komarket. Estes equipamentos, que levarão impresso o logotipo “Mover o México”, serão entregues em 415 localidades, entre as quais estão as cidades de Monterrey, Guadalajara, Querétaro, Morelia e Mexicali.

Posteriormente, entre janeiro e setembro de 2015, já com a guerra eleitoral em andamento, serão presenteados outros 11 milhões e 400 mil televisores, no resto do país, incluído o Distrito Federal. Para isto, são preparadas novas licitações. A meta, como se sabe, é dotar destes equipamentos, antes de que se conclua o próximo ano, 13,8 milhões de lares, embora o Programa de Trabalho para a Transição à TDT considera 12,6 milhões de equipamentos.

Seja uma ou outra quantidade, a meta é muito mais ambiciosa e, se supõe, muito custosa para os mexicanos. É ambiciosa porque diariamente, durante o período que vai de 20 de outubro de 2014 a 4 de janeiro de 2015, serão entregues 30 mil e 263 televisores, isto é, um aparelho quase a cada três segundos. E em 2015 haverá cerca de 270 dias nos quais se deverá entregar 42 mil e 222 televisores por dia, o que supõe que quase a cada dois segundos um lar receberá este presente. Isto sem considerar os dias prévios às eleições e durante a jornada eleitoral, nos quais, por lei, não será possível realizar estas entregas.

E será uma meta custosa porque este equipamento poderia superar os 31 mil milhões de pesos, cinco mil pesos a mais do que o estimado. Explico o porquê. Até agora, o governo investiu 277 milhões de pesos por 120 mil aparelhos, dos quais 93 mil e 907 foram entregues, de maio a julho de 2014, em 12 municípios de Tamaulipas, quatro de Nuevo León e um de Coahuila. Cada aparelho teve um custo de 2 mil e 300 pesos, mas o governo diz que seu custo foi de mil e 980 pesos. As cifras não fecham.

Na licitação do mês passado, o preço de cada aparelho era de 2 mil e 200 pesos. Se nos baseamos na cifra oficial, então houve um aumento de 11 por cento. Graças ao colunista Alberto Aguilar, do EL UNIVERSAL, sabemos (por ele, não pela autoridade) que este incremento foi porque peças industriais chinesas aumentaram de preço e nesta ocasião se somaram os gastos de armazenamento, transportes e seguros, o que não sucedeu na primeira etapa. Contudo, as cifras não fecham, porque para a aquisição e entrega dos 2 milhões e 300 mil aparelhos se atribuiu um orçamento de 5 mil e 821 milhões de pesos, o que supõe que cada televisor tenha custado pouco mais de 2 mil e 530 pesos e não 2 mil e 200 pesos.

Se nos baseamos na cifra oficial de 2 mil e 200 pesos por televisor e que faltam entregar 11,4 milhões de aparelhos, então esta transição custará mais de 31 bilhões de pesos (230 milhões da primiera etapa, 5,821 bilhões da segunda e mais de 25 bilhões pelas etapas restantes). Agregue você horas/trabalho do pessoal da Sedesol e SCT, que se distraíram de suas atividades para entregar televisores e apoios extras. Conclusão: um confuso e multimilionário gasto, que não deveríamos deduzir aqui, e que a Secretaria de Comunicações e Transportes (SCT) deveria informar com total transparência.

Apagão em 2015?

Independentemente da leitura política destes presentes, o governo federal foi enfático que cumprirá o objetivo de dotar 90 por cento dos lares com as televisões digitais nos prazos previstos. Desta maneira, o Instituto Federal de Telecomunicações (IFT) poderá ordenar o apagão analógico. Entretanto, no setor há insegurança, devido aos atrasos (de ao menos três meses) no plano de trabalho da SCT, às contingências que se pudessem apresentar nas novas licitações dos equipamentos e ao multimilionário orçamento, que deverá ser aprovado na Câmara dos Deputados.

O problema se agrava pela ausência de campanhas de informação destinadas à população sobre esta transição tecnológica (na qual também há descumprimento por parte da SCT) e de informação sobre os avanços do equipamento nos lares para que o IFT possa determinar os apagões por cidades. Por isso, o órgão regulador das telecomunicações teve que modificar novamente, em setembro, a política da TDT e postergar as datas previstas originalmente no documento.

Quanto às emissoras, Televisa, Televisão Azteca e Multimeios Televisão, estão preparadas desde há tempo para esta mudança tecnológico. Mas, não é o caso de uma boa quantidade de emissoras públicas, dependentes de vários governos estatais. Sem orçamentos adicionais e sem apoios da federação para se digitalizar, sua situação é incerta e assim se manifestaram nas reuniões da Rede de Radiodifusoras e Emissoras Culturais e Educativas. Segundo um relatório do IFT de junho de 2014, de mais de 250 canais de emissoras públicas, só 28 transmitiam até essa data com tecnologia digital. O atraso é enorme.

Será por causa da televisão pública e não pela falta de penetração de aparelhos digitais que se posterga a data do apagão analógico? Pode ser. Contudo, não seria o motivo principal. A ausência de uma verdadeira política pública e de planejamento é o que tem caracterizado esta falida e entorpecida transição até a TDT, com um custo econômico enorme para o país.

Rádios públicas estreitam aliança 

Na semana passada, terminou com chave de ouro a Décima Bienal Internacional de Rádio, que organizou a Rádio Educação com o apoio de diversas instituições. Durante a bienal teve fim o Segundo Encontro de Rádios Públicas da América Central e México, no que os representantes destas emissoras fizeram o acordo de consolidar a troca de conteúdos, trabalhar os temas migratórios, na formação de locutores e produtores, assim como impulsionar ações conjuntas para a celebração do Dia da Rádio cada 13 de fevereiro.

 

*Professor- Pesquisador da Universidad Autónoma Metropolitana (Uam-Xochimilco) e Analista de Meios de Comunicação

 

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